Rectângulo arredondado: Faculdade de Farmácia — Laboratório de Toxicologia

Arsénio

 

Tipos de Intoxicação e Seus Sintomas:

             Dependendo do grau de exposição, os efeitos tóxicos do arsénio, que como se viu atingem vários órgãos e sistemas, podem ser agudos, subcrónicos e crónicos.

             De um modo geral, a intoxicação aguda por arsénio resulta da ingestão de água e alimentos contaminados. O quadro clínico de uma intoxicação aguda inclui:

             - vómitos, diarreia, fortes dores abdominais, febre, insónia, hepatomegalia, anemia, melanose e alterações a nível cardíaco (alterações no electrocardiograma, arritmias que conduzem a falência cardiovascular ).

             Um efeito neurológico muito comum é a perda de sensibilidade no sistema nervoso periférico, que resulta da degeneração Walleriana dos axónios. Esta situação pode ser remediada se se suspender a exposição ao arsénio.

             A anemia e granulocitopenia ocorrem alguns dias após exposição e, geralmente, são reversíveis. Podem, eventualmente, ocorrer desordens na síntese do grupo heme com um aumento da excreção urinária de porfirina.

             Estes sintomas podem surgir em minutos ou decorridas várias horas da ingestão de 100 a 300 mg de arsénio.

             Raramente, se verifica uma intoxicação aguda em crianças. No entanto, caso esta se observe, um terapia com sucesso a ser aplicada consiste no uso de quelantes. Menos de 1 mg/kg de arsénio pode causar sintomatologia em crianças e 2 mg/kg pode mesmo causar a morte. No adulto, a dose letal é na ordem dos 120 a 200 mg.

             O gás arsina é a forma mais tóxica do arsénio, responsável por uma intoxicação com sintomas muito graves. Isto, porque a arsina é um gás incolor, não irritante, o que faz com que os sintomas não se instalem de forma imediata. Só em alguns casos é que se apercebe a sua existência devido a um odor a alho no ambiente.

             O principal mecanismo de intoxicação por arsina é uma rápida hemólise intravascular. Uma das consequências desta hemólise é a falência renal, directamente relacionada com a precipitação da hemoglobina nos tubulos renais.

             Uma intoxicação sobreaguda resulta da rápida absorção de uma grande quantidade de arsénio. Manifesta-se um hora após exposição e traduz-se num quadro neurológico paralítico, marcado pela ausência de diarreia e vómitos.

             Os sintomas de uma exposição crónica ao arsénio são visíveis ao nível da pele, sistema nervoso central e periférico, fígado, sistema cardiovascular, sistema hematopoiético e tracto respiratório superior. Traduzem-se em fadiga, gastroenterite, leucopenia, anemia, aumento das transaminases, hipertensão portal não cirrótica, neuropatia periférica sensoriomotora ( que conduz a um desmielinização das fibras nervosas axonais largas ), insuficiência vascular periférica, linhas de “Mees – Aldrich”....

             A exposição crónica tem sido, ainda, associada a cancro de pele e alterações cutâneas até sete anos depois do início da exposição; cancro do pulmão ( em inaladores crónicos de arsénio );do fígado, dos rins, da bexiga e dos tecidos linfático e hematopoiético.

             Uma intoxicação subcrónica ( ou por repetidas doses ) tem como sintomas dominantes a lesão hepática que se traduz, inicialmente, por icterícia podendo evoluir para cirrose e ascite; alterações cardiovasculares, com gangrena nas extremidades; e , principalmente, neurite periférica.