Antineoplásicos - Alcalóides da Vinca

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Tipos de cancro em que os alcalóides da vinca vão ser empregues:

 

Cancro da bexiga

 

Nomes alternativos:

Carcinoma celular transitório da bexiga.

Definição:

O cancro da bexiga caracteriza-se pelo aparecimento de um tumor maligno dentro da mesma, podendo surge a partir de células transitórias desta (células que delimitam a bexiga).

Estes tumores podem ser classificados segundo a forma de crescimento: tumores papilares (aparentando uma verruga com pedúnculo) ou tumores não papilares. Os tumores não papilares são muito menos comuns, mas mais invasivos e de mau prognóstico.

Causas, incidência, e factores de risco:

Tal como a maioria dos cancros a causa exacta do mesmo é desconhecida. No entanto certos factores podem contribuir para o seu aparecimento.

O risco de desenvolvimento da doença num fumador é cerca de cinco vezes mais elevada do que num não fumador. De todos os casos de cancro da bexiga, cerca de 50% nos homens e 30% nas mulheres pode ser atribuído ao fumo do cigarro. O risco diminui em pessoas que deixam de fumar.

Um em cerca de cada quatro casos de cancro da bexiga pode ser atribuídos a exposição a carcinogénicos no local de trabalho. As arilaminas são os principais responsáveis. Os grupos de maior risco são camionistas e pessoas que trabalham com: borracha, alumínio, corantes têxteis, couros e pesticidas, apesar de se ter eliminado as arilaminas de muitos locais de trabalho.

A relação entre o uso de adoçantes artificiais e o cancro da bexiga tem sido investigado, tendo-se concluído não existir relação ou esta ser muito fraca.

Mulheres que foram alvo de radioterapia para tratamento de cancro cervical têm uma predisposição maior para o desenvolvimento do cancro da bexiga, assim como pessoas que foram sujeitas a uma quimioterapia com ciclofosfamida (Cytoxan).

Uma infecção crónica da bexiga ou irritação podem levar ao desenvolvimento de cancro das células escamosas da bexiga. Contudo, este cancro é de crescimento lento. As infecções na bexiga não aumentam o risco de cancro das células transitórias.

Nos países sub desenvolvidos, as infecções por schistosoma estão ligadas ao desenvolvimento do cancro da bexiga.

Os cancros da bexiga dividem-se em diferentes estágios segundo a sua agressividade e o grau de diferenciação para com os tecidos circundantes da bexiga. Existem diversas maneiras de classificar os tumores nos diversos estágios sendo, o mais comum, o sistema de classificação em estágios TNM. Este sistema de classificação contem diversos sub-estágios, mas usa habitualmente a seguinte escala:

·  Estágio 0 – Carcinoma in-situ ou lesões não-invasivas limitadas a mucosa da bexiga

·  Estágio I – Tumor estende-se através da mucosa não atingindo a camada muscular

·  Estágio II – Tumor invade a camada muscular

·  Estágio III – Tumor atravessa a camada muscular, atingindo os tecidos circundantes da bexiga

·  Estágio IV – Cancro atingiu nódulos linfáticos ou outros locais (metástase)

O cancro da bexiga espalha-se, atingindo orgãos vizinhos, incluindo a próstata, o útero, a vagina, os ureteres e o recto. Este pode também espalhar-se até os nódulos linfáticos pélvicos ou outras partes do corpo, tais como fígado, pulmões e ossos.21

 

Cancro cervical

 

Definição:

Cancro cervical é o cancro do cérvix uterino, a porção do útero ligada a parte superior da vagina. Cerca de 90% deste cancro surge das células distendidas ou squamous que recobrem o cérvix. A maioria dos restantes 10% advém das mucosas secretoras ou glândulas do canal cervical que leva ao útero.

Causas, incidência, e factores de risco:

O desenvolvimento do cancro cervical é gradual e inicia-se com uma fase pré-cancerosa chamada displasia. Nesta forma a hipótese de cura é 100%, e habitualmente sem necessidade de remoção cirúrgica.

A displasia, dependendo na sua severidade, pode-se resolver sem tratamento em mulheres jovens. No entanto, frequentemente progride para uma forma de cancro denominada de “carcinoma in situ” (CIS) se não se espalhou, ou “microinvasiva” se só se espalhou uns milímetros para o tecido circundante e não para os vasos sanguíneos e canais linfáticos. Para a displasia se transformar em carcinoma in situ ou cancro microinvasivo pode demorar vários anos, mas uma vez transformado em cancro este pode espalhar-se rapidamente em profundidade para os tecidos circundantes ou outros orgãos como bexiga, intestino, fígado, ou pulmões.

Habitualmente doentes com cancro cervical não tem qualquer tipo de problemas até ao momento em que o cancro atinge uma fase avançada ou se espalhe. A displasia pode ser detectada facilmente assim como as formas de cancro cervical que ainda não tenham espalhado.

Os factores de risco para o cancro cervical são:

·  Infecção com vírus que causem verrugas genitais (Vírus papiloma humano ou HPV) pode aumentar o risco do aparecimento de displasia genital e consequentemente cancro. No entanto este factor não leva consequentemente a cancro cervical, cientistas pensam que depende ainda de outros factores como fumar.

·  Relações sexuais muito precoces.

·  Muitos parceiros sexuais ou parceiro com muitos parceiros sexuais.

·  Mulheres cujas mães tomaram DES (dietilestilbestrol) durante a gravidez estão em risco de adquirir uma forma muito rara de cancro cervical e cancro vaginal

·  Mulheres cujos sistemas imunes estejam enfraquecidos; mulheres infectadas com SIDA ou que tenham recebido transplante de orgãos ou que estejam a tomar fármacos para suprimir o sistema imune podem ter risco acrescido.

·  Infecções com herpes genitais ou infecção crónica por clamideia, ambas sexualmente transmissíveis podem aumentar o risco.

O cancro cervical é o terceiro tipo de cancro mais comum que afecta a mulher a nível mundial.22

 

Cancro da mama

 

Definição:

Trata-se de um cancro maligno que inicia o crescimento nos tecidos da mama. Ao longo da vida, 1 em cada 8 mulheres será diagnosticada com esta doença.

Causas, incidência e factores de risco:

Existem diferentes tipos de cancros da mama. O carcinoma ductal inicia-se nas células, que delimitam os ductos, que conduzem o leite ao mamilo e é responsável por mais de 75% dos cancros da mama.

O carcinoma lobular inicia-se nas glândulas mamárias mas de uma forma geral o seu comportamento é similar ao do carcinoma ductal. Outras variedades do cancro da mama podem advir da pele, gordura, tecidos conectores, e outras células presentes na mama.

Factores de risco para o cancro da mama incluem:

·  Idade e sexo – Como na maioria dos cancros, a idade é um factor significativo. De facto, 77% dos novos casos e 84% de mortes por cancro da mama, ocorrem em mulheres acima dos 50 anos de idade. Mais de 80% dos casos de cancro da mama ocorrem em mulheres acima dos 50. Menos de 1% dos cancros da mama ocorrem em homens. O risco de cancro da mama está claramente relacionado com factores hormonais, mas a forma como estes afectam a doença e, particularmente os tipos de doença ainda é desconhecido.

·  Factores genéticos e história familiar de cancro da mama – Algumas famílias parecem possuir tendência genética para o aparecimento do cancro da mama. Dois dos genes que parecem estar relacionados com este facto são: BRCA1 e BRCA2. Os genes p53 e BARD1 também parecem ser importantes. Investigadores já identificaram outros genes alterados que podem causar cancro da mama, incluindo BRCA3 e Noey2 (que é uma doença herdada somente pelo lado do pai). Estes factos sugerem que o cancro da mama é causado pelo crescimento de células geneticamente defeituosas. Tais defeitos são conhecidos por se acumularem nas células do corpo ao longo de tempo. Mulheres portadoras dos genes mutados BRCA1 e/ou BRCA2 são as mais susceptíveis. Influências hormonais são importantes porque estimulam o crescimento celular. Elevados níveis hormonais durante o período fértil da mulher, especialmente quando não são alterados por uma gravidez, torna esta mais susceptível a alterações genéticas celulares, aumentando o risco de cancro.

·  Menstruação precoce e menopausa tardia – o risco de cancro da mama em mulheres que iniciem o seu período menstrual precocemente (antes dos 12 anos) ou atinjam a menopausa tardiamente (depois dos 55 anos) é maior, assim como nas mulheres que nunca tenham tido filhos ou que os tenham depois dos 30 anos.

·  Contraceptivos orais – podem aumentar ligeiramente o risco dependendo da idade, do período de utilização e de outros factores. Não se sabe quanto tempo os efeitos destes duram após paragem da toma.

·  Terapia de Reposição Hormonal (TRH) – Tem sido demonstrado que o uso da TRH aumenta o risco.

·  Características físicas – A obesidade é controversa como factor de risco. Alguns estudos reportam a obesidade como um risco, possivelmente associado a uma elevada produção de estrogénios nas mulheres obesas.

·  Consumo de álcool – O consumo excessivo de álcool tem sido associado a um aumento do risco.

·  Químicos – Alguns estudos apontam no sentido de que a exposição a químicos (semelhantes aos estrogénios) encontrados nos pesticidas e em outros produtos industriais, possam aumentar o risco.

·  Dietilestilbestrol (DES) – Mulheres que tomam DES para prevenir abortos espontâneos podem ter um risco aumentado.

·  Radiação – Pessoas expostas a radiações, particularmente durante a infância, podem enfrentar um risco aumentado na idade adulta. Especialmente em risco estão aquelas que fizeram radioterapia no peito para tratamento de cancros anteriores.

·  Factores de risco adicionais – Alguns estudos demonstram que cancros de mama, útero, ovário ou cólon, e uma marcada história de cancro na família, podem ver o seu risco aumentado.23

 

Cancro oral

 

Nomes alternatives:

Cancro da boca; cancro da cabeça e pescoço; cancro das células squamous da boca.

Definição:

O cancro oral é caracterizado por um crescimento anormal de tecido maligno na boca.

Causas, incidência e factores de risco:

O cancro oral ou da boca envolve mais frequentemente o tecido dos lábios ou da língua. Pode também aparecer no pavimento da boca, bochecha, gengiva, ou palato (céu da boca). A maioria dos cancros orais é semelhante ao microscópio, sendo chamados de carcinomas das células squamous. Estes são malignos e tendem a espalhar-se rapidamente.

O tabaco está associado a 70-80% dos casos de cancros orais. O fumo e calor dos cigarros, charutos, e cachimbo irritam a membrana mucosa da boca. O uso de tabaco para mascar ou para cheirar causa irritação pelo contacto directo com as membranas mucosas. O alcoolismo é outra das actividades que aumentam o risco de cancros orais.

Outros riscos incluem uma pobre higiene oral e uma irritação crónica (tal como as provenientes de dentes rugosos, dentaduras, ou amálgamas). Alguns cancros orais iniciam-se sobre a forma de leucoplasia ou úlceras orais. Os cancros orais são responsáveis por cerca de 8% de crescimentos malignos. Os homens são afectados duas vezes mais do que as mulheres, particularmente homens com mais de 40 anos.24

 

Cancro do ovário

 

Definição:

Trata-se de um neoplasma maligno (crescimento anormal) localizado nos ovários.

Causas, incidência, e factores de risco:

O cancro do ovário é muito pouco comum, sendo no entanto o 5º cancro mais mortífero na mulher, e também a principal causa de morte por entre os cancros ginecológicos. A sua causa é desconhecida. A doença é mais comum nos países industrializados, com a excepção do Japão. A faixa etária com maior risco de aparecimento deste cancro situa-se entre os 40 e 60 anos. As mulheres mais velhas possuem riscos maiores. Mais de metade das mortes devidas a cancro do ovário dão-se em mulheres entre os 55 e 74 anos. Cerca de 25% das mortes de cancro do ovário ocorrem em mulheres entre os 35 e 54 anos.

Os sintomas deste cancro são muitas vezes vagos e não específicos, o que dificulta o seu diagnóstico. Quando finalmente é conseguido já o tumor se encontra frequentemente espalhado para além dos ovários. Este tipo de cancro pode também derramar células cancerígenas que se implantam no útero, na bexiga, e no intestino. Estas células podem formar novo tumor antes mesmo de se suspeitar da existência de cancro do ovário.

Não existe nenhum teste de screening para o cancro do ovário, sendo por isso, em mais de 50% das mulheres diagnosticado em estado avançado da doença.

O risco de desenvolvimento de um cancro do ovário parece ser afectado por diversos factores. Um elevado número de filhos, uma primeira gravidez em idade jovem, e o uso de alguns contraceptivos orais demonstraram ter um efeito protector. Em contraste, o uso de fármacos fertilizantes pode estar associado a uma elevada possibilidade de desenvolvimento deste cancro, embora haja muita controvérsia. Alguns genes, incluindo BRCA1 e BRCA2, que aumentam o risco de cancro da mama, podem também aumentar o risco e a possibilidade de uma mulher ser afectada pelos dois cancros em idade jovem. Doentes com uma história pessoal de cancro da mama, ou uma história familiar de cancro da mama ou do ovário, podem ver o seu risco aumentado. Uma história familiar forte de cancro uterino, do cólon, ou qualquer outro gastrointestinal, pode indicar a presença de um síndrome conhecido como non-polyposis cólon cancer (HNPCC), o qual confere um maior risco de desenvolvimento do cancro do ovário.

Outros factores que têm sido investigados, como o uso do talco, a exposição ao amianto, dieta com elevados teores em gorduras, e a papeira, são controversos, não tendo sido ainda definitivamente provados.25

 

Cancro do pulmão

 

Definição:

O cancro pulmonar é um tumor maligno nos pulmões. Existem diversos tipos de cancros, mas a maior parte pode ser classificada em dois tipos básicos, “células pequenas” e “células não-pequenas”. O primeiro tipo é geralmente de crescimento mais rápido que o segundo, mas é mais susceptível a quimioterapia.

Causas, incidência, e factores de risco:

O cancro do pulmão é um dos cancros mais comuns no mundo e a maior causa de morte em homens e mulheres nos Estados Unidos. Mais de 150.000 pessoas morrem no EUA todos os anos de cancro do pulmão.

A maioria dos casos de cancro de pulmão está relacionada com o tabagismo. O risco de adquirir carcinoma pulmonar aumenta com o número de cigarros fumados por dia e a idade em que se iniciou a fumar.

Os fumadores passivos também são uma classe de risco. Estudos governamentais demonstraram que muitas das 3,000 pessoas que a cada dia desenvolvem um cancro do pulmão são fumadores passivos. Elevados níveis de poluição, radiações, e exposições ao amianto podem aumentar o risco.

O cancro do pulmão começa nas células da superfície pulmonar (em contacto directo com o ar) e frequentemente invade os tecidos adjacentes ou espalham-se para qualquer outra parte do corpo antes mesmo de aparecerem os sintomas.26, 27

 

Cancro do pulmão de células pequenas (small cell lung cancer)

 

Definição:

O cancro pulmonar das células pequenas divide-se em área limitada (usualmente o cancro encontra-se restrito ao peito) e área extensa (o cancro espalhou-se para lá do peito).

Cerca de 20% de todos os casos de cancro pulmonar é do tipo células pequenas, significando que cerca de 30,000 doentes são diagnosticados com a doença, a cada ano que passa.26

 

Cancro do pulmão de células não-pequenas (non-small cell lung cancer)

 

Definição:

Existem diversos subtipos de cancro do pulmão de células não pequenas – o adenocarcinoma, o carcinoma das células squamous e o carcinoma das células grandes. No entanto o prognóstico para qualquer uma destas doenças é similar e são tratadas de forma idêntica.27

 

Cancro testicular

 

Nomes alternativos:

Tumor das células germinativas; Seminoma

Definição:

O cancro testicular é um anormal, rápido, e invasivo crescimento de células cancerígenas (malignas) nos testículos (glândulas sexuais masculinas adjacentes ao pénis)

Causas, incidência e factores de risco:

Embora a causa exacta do cancro testicular não tenha sido ainda identificada, diversos factores predisponentes parecem aumentar o risco do seu aparecimento. Isto inclui um passado médico de undescendend testicle(s), desenvolvimento testicular anormal, síndrome de Klinefelter (anomalia no cromossoma sexual que pode ser caracterizado por níveis baixos de hormonas masculinas, esterilidade, aumento do peito, e testículos pequenos), ou prévio cancro testicular.

Outros factores estão a ser investigados como possíveis causas, tais como exposições químicas e infecções por HIV. Uma história familiar de cancros testiculares pode incrementar o risco. Não existe nenhuma ligação com vasectomias (uma operação que causa esterilidade) e elevados riscos de aparecimento de cancro testicular.

Entre 6,000 a 8,000 homens são diagnosticados com cancro testicular todos os anos. Embora o cancro testicular represente apenas 1% de todos os cancros no homem, esta é a forma mais comum de cancro em homem jovens de 15 a 40 anos. Pode também aparecer em jovens rapazes, mas apenas cerca de 3% de todos os cancros testiculares são encontrados nestes.

O risco é cerca de 5 vezes maior em homens brancos americanos do que nos afro-americanos e 2 vezes maior do que em asiático-americanos. O risco de aparecimento de cancro testicular duplicou entre os homens brancos americanos nos últimos 40 anos, mas permanece o mesmo nos afro-americanos. Os motivos para estas diferenças são desconhecidos.

O cancro testicular pode classificar-se da seguinte forma:

·  Seminomas contam-se entre 30-40% de todos os tumores testiculares. Estes são usualmente encontrados em homens na casa dos 30 e 40 anos. A doença localiza-se nos testículos embora em 25% dos casos se tenha espalhado para os nódulos linfáticos.

·  Não-seminomas representam cerca de 60% de todos os tumores testiculares. As subcategorias (listadas abaixo) contêm frequentemente mais do que um tipo celular.

o  Carcinoma embrional (cerca de 20% dos cancros testiculares) ocorre entre os 20 e 30 anos e são altamente malignos. Crescem rapidamente e espalham-se pelos pulmões e fígado.

o  Yolk sac tumor (cerca de 60% de todos os cancros testiculares em jovens rapazes).

o  Teratomata (cerca de 7% dos cancros testiculares em homens adultos e 40% em jovens rapazes).

o  Choriocarcinoma (raro).

Os tumores das células Strumal são um tipo de tumor constituído por células Leydig, células Sertoli, e células granuladas. Estes tumores representam apenas 3-4% de todos os tumores testiculares, sendo no entanto responsáveis por quase 20% dos tumores testiculares na infância. Estes tumores podem segregar uma hormona – estradiol – que pode causar um dos sintomas do cancro testicular, gynecomastia (desenvolvimento excessivo do tecido masculino do peito).28

 

Histiocitose

 

Nomes alternativos:

Granuloma eosinofílico; Histiocitose X pulmunar; Reticuloendoteliose não-lipídica; Granulomatose pulmunar de células de Langerhans; Doença de Hand-Schuller-Christian; Doença de Letterer-Siwe; Histiocitose das células de Langerhans.

Definição:

Histiocitose é um nome genérico para um grupo de sindromas caracterizado por um aumento anormal no número de certas células imunes chamadas células histiociticas. Estas incluem monócitos, macrofagos e células dendríticas.

Existem 3 grandes classes de histiocitoses no entanto só irão ser abordadas a histiocitoses das células de Langerhans, que também são denominada de Histiocitose X. As outras duas classe são as histiocitoses das células não Langerhans (também conhecidas por sindroma hematofágico) e sindroma histiocítico maligno (agora conhecido por linfoma das células T).

Causas, incidência e factores de risco:

A maioria dos casos de histiocitose X afecta crianças entre o 1 e 15 anos de idade. O pico incide sobre crianças entre os 5 e 10 anos de idade. Pensa-se que esta doença pode afectar aproximadamente uma em cada 200.000 pessoas a cada ano.

As células imunes extra podem formar tumores que podem afectar diversas partes do corpo. Nas crianças a histiocitose X normalmente envolve os ossos (80%) e pode consistir num único foco ou múltiplos focos. O crânio é frequentemente afectado.

Os tumores produzem um aspecto espalmado no raio-x ósseo. Tumores em ossos de suporte de peso tais como os das pernas ou da coluna podem fracturar espontaneamente. Existe frequentemente envolvimento sistémico, causando rash, problemas pulmonares, infiltração maxilar, inchaço de glândulas linfáticas, problemas hormonais, aumento de volume do fígado e baço e anemia. Afectando tantos sistemas e orgãos esta doença pode levar à morte.

Crianças acima dos 5 anos de idade só têm frequentemente envolvimento ósseo. Infelizmente aquelas que sobrevivam por longos períodos de tempo continuam a ter problemas relacionados com a doença. Crianças muito novas, especialmente até aos 5 anos de idade estão mais sujeitas ao envolvimento sistémico que evolui para a morte.

Histiocitose X tem sido tipicamente considerada uma doença cancerosa mas recentemente investigadores começaram a suspeitar que na realidade se trata de um fenómeno auto imune, em que células imunitárias atacam o organismo em vez de combater infecções. Algumas formas são genéticas.

Outro tipo de histiocitose X, a histiocitose X apulmunar, mais comum nos adultos, é caracterizada por inflamação das pequenas vias aéreas (bronquíolos) e dos pequenos vasos sanguíneos nos pulmões. A inflamação leva a uma fibrose e destruição das paredes dos alvéolos. A causa é desconhecida. Pessoas dos 30 aos 40 anos são afectadas mais frequentemente. Fumadores constituem cerca de 9% dos doentes. Nestes casos ocorre frequentemente pneumotorax espontâneo.29

 

Anemia hemolítica ideopática autoimune (Idiopathic autoimmune hemolytic anemia)

 

Nomes alternativos:

Anemia hemolítica autoimune.

Definição:

Anemia hemolítica ideopática autoimune resulta de uma anormalidade do sistema imune que destrói eritrócitos prematuramente. Desconhece-se a causa deste fenómeno.

Causas, incidência, e factores de risco:

Anemia hemolítica ideopática autoimune é uma doença adquirida que ocorre quando são sintetizados anticorpos anti-eritrócitos do próprio indivíduo. Na forma ideopática esta doença tem uma causa desconhecida.

Existem outros tipos de anemias hemolíticas imunes cuja causa pode ser uma doença ou fármacos utilizados. Anemia hemolítica ideopática autoimune é responsável por cerca de 50% dos casos de anemia hemolítica imune. A evolução da doença pode ser muito rápida e muito severa. Não são conhecidos factores de risco.30

 

Trombocitopenia ideopática púrpura (ITP) (Idiopathic thrombocytopenic purpura)

 

Nomes alternativos:

Trombocitopenia púrpura imune

Definição:

Trombocitopenia ideopática púrpura é uma doença hemorrágica caracterizada por um número reduzido de plaquetas no sangue. Isto deve-se ao facto de as plaquetas estarem a ser destruídas pelo sistema imune. Ideopática quer dizer que a causa exacta da doença é desconhecida. Uma vez que a natureza autoimune desta doença está a ser estudada por vezes é denominada de trombocitopenia púrpura autoimune.

Causas, incidência, e factores de risco:

Esta doença manifesta-se quando os linfócitos produzem anticorpos contra as plaquetas. As plaquetas são necessárias para a coagulação normal do sangue, ligando-se entre si recobrem pequenos buracos existentes nos vasos sanguíneos.

A presença de anticorpos nas plaquetas leva à sua destruição no baço. Rash cutâneo, hemorragias menstruais anormais, hematomas e hemorragias súbitas e severas no tracto gastrointestinal são os sintomas mais frequentes.

Normalmente não são encontrados outros sinais anormais. Em crianças, a doença é por vezes precedida de uma infecção viral não tratada. Nos adultos, é mais frequentemente uma doença crónica de longa duração e pode seguir-se a uma doença viral, a certos fármacos, a uma gravidez ou a outras disfunções imunes.

ITP afecta mulheres mais frequentemente que homens, e é mais comum em crianças do que em adultos. Afecta igualmente rapazes e raparigas.31

 

Linfoma de Hodgkin

 

Nomes alternativos:

Linfoma de Hodgkin; Doença de Hodgkin.

Definição:

O linfoma de Hodgkin é um cancro maligno que ataca o tecido linfóide encontrado nos nódulos linfáticos, baço, fígado e medula óssea.

Causas, incidência, e factores de risco:

O primeiro sinal do cancro é um aumento de volume dum nódulo linfóide que aparece sem uma causa conhecida. Este carcinoma pode espalhar-se para nódulos linfóides adjacentes e mais tarde pode espalhar-se para os pulmões, fígado e medula óssea.

A causa não é ainda conhecida. A incidência é de 2 em cada 10.000 pessoas. O linfoma de Hodgkin é mais comum em pessoas com idades entre os 15 e 35 anos e os 50 e 70 anos de idade.32

 

Linfoma não-Hodgkin

 

Nomes alternativos:

Linfoma não-Hodgkin; Linfoma linfocítico; Linfoma histiocítico; Linfoma linfoblástico.

Definição:

Os linfomas não-Hodgkin são cancros do tecido linfático (nódulos linfáticos, baço, e outros órgãos do sistema imunitário).

Causas, incidência e factores de risco:

Os linfomas não-Hodgkin podem ser cancros de crescimento lento ou crescimento rápido. Para a maioria dos pacientes, a causa é desconhecida, mas os linfomas podem, por exemplo, aparecer em indivíduos imunossuprimidos como resultado de um transplante.

Os tumores são classificados de acordo com o seu grau de malignidade (agressividade) — grau reduzido, grau intermédio ou grau elevado. O linfoma de Burkitt é exemplo de um linfoma de grau elevado. Os tumores não-Hodgkin são mais frequentes do que os linfomas de Hodgkin.

Habitualmente, os linfomas não-Hodgkin afectam pessoas com mais de 50 anos. Os grupos de risco incluem transplantados e imunossuprimidos. A incidência é de 3 em cada 10,000 pessoas.33

 

Linfoma de Burkitt

 

Nomes alternatives:

Linfoma das células B; High-grade B-cell lymphoma; Small non-cleaved cell lymphoma.

Definição:

O linfoma de Burkitt é um tumor das glândulas linfóides classificado como um linfoma do tipo não Hodkin.

Causas, incidência, e factores de risco:

Este tipo de tumor foi descoberto pela primeira vez em Africa.

O linfoma de Burkitt africano está relacionado com o vírus Epstein-Barr (EBV), a causa primária de infecção mononucleóide. A forma americana do linfoma de Burkitt está menos relacionada com o EBV. Ambos os tipos de tumor são devidos a células imunitárias defeituosas – linfócitos B.

O linfoma de Burkitt manifesta-se primariamente pelo aumento de volume dos nódulos linfáticos (glândulas) no pescoço ou abaixo do maxilar. Estes nódulos linfáticos frequentemente crescem muito rapidamente e não causam dor. Esta doença pode iniciar em outras localizações.

A causa deste tipo de linfoma não é conhecida, mas no tipo africano existe uma forte associação com uma infecção por EBV durante a infância.34

 

Mieloma múltiplo

 

Nomes alternativos:

Mieloma das células plasmáticas; Plasmacitoma maligno; Plasmacitoma do osso; Plasma cell dyscrasia.

Definição:

O mieloma múltiplo é um cancro das células plasmáticas da medula óssea.

Causas, incidência e factores de risco:

O mieloma múltiplo é caracterizado pelo crescimento excessivo e mau funcionamento das células da medula óssea. O crescimento extra destas células plasmáticas interfere com a produção dos glóbulos vermelhos, dos glóbulos brancos e das plaquetas. Como consequência verifica-se uma anemia, uma susceptibilidade a infecções, e uma tendência aumentada para sangrar.

Ao mesmo tempo que as células cancerígenas crescem e expandem na medula óssea, elas vão causam dor e destruição dos ossos. Se os ossos da coluna vertebral são afectados, a compressão dos nervos pode resultar em entorpecimento ou paralisia.

A falha renal (falha dos rins) é uma complicação frequente causada pelo excesso de cálcio no sangue resultante da destruição dos ossos. O mieloma múltiplo afecta principalmente idosos. Não se conhecem outros factores de risco. Esta doença é rara sendo que apenas aparecem 3 novos casos em cada 100,000 pessoas por ano nos EUA.35

 

Neuroblastoma

 

Definição:

O neuroblastoma é um tumor maligno (canceroso) que aparece nas crianças, desenvolvendo-se a partir do tecido nervoso.

Causas, incidência e factores de risco:

O neuroblastoma pode aparecer em muitas áreas do corpo. Desenvolve-se a partir de tecidos que constituem o sistema nervoso simpático (a parte do sistema nervoso que controla as funções do corpo, tais como o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea, digestão, e alguns níveis hormonais).

O neuroblastoma mais comum começa nos tecidos das glândulas supra-renais no abdómen, podendo no entanto ocorrer noutras áreas. Pode espalhar-se pelos nódulos linfáticos, fígado, ossos e medula óssea.

As causas do tumor não são conhecidas. O neuroblastoma é o cancro mais comum diagnosticado em crianças até aos 5 anos. A doença aparece aproximadamente numa em cada 100,000 crianças sendo “ligeiramente” mais comum nos rapazes.36

 

Osteosarcoma

 

Nomes alternativos:

Sarcoma osteogénico

Definição:

O osteosarcoma é um tumor do osso, maligno, que usualmente se desenvolve durante um período de crescimento rápido que ocorre na adolescência aquando da passagem de um jovem a adulto.

Causas, incidência e factores de risco:

O osteosarcoma é o tumor maligno do osso mais comum nos jovens. A média de idade de diagnóstico é de 15 anos. Rapazes e raparigas têm uma incidência similar deste tumor até ao fim da adolescência, após o qual os rapazes são os mais afectados.

A causa é desconhecida. Em alguns casos, o osteosarcoma tem predisposição genética (história familiar da doença) sendo que pelo menos um gene foi identificado como factor de risco. Este gene está também associado ao retinoblastoma familiar, um cancro dos olhos que aparece em crianças.

O osteosarcoma tende a ocorrer no fémur (na parte distal, perto do joelho), no braço (na parte proximal, perto do ombro), e na canela da perna (na parte proximal, perto do joelho). Este cancro aparece com maior frequência nos ossos largos e na área do osso com crescimento mais rápido. O osteosarcoma pode, no entanto, ocorrer em qualquer osso.

O sintoma mais comum é inicialmente a dor. A medida que o tumor cresce, são visíveis inchaços e limitação dos movimentos. Os tumores nas pernas causam coxear, enquanto os dos braços provocam dor no levantamento destes. O inchaço à volta do tumor pode ser quente e avermelhado.37

 

Rhabdomiosarcoma

 

Nomes alternativos:

Sarcoma do tecido mole; rabdomiosarcoma alveolar; rabdomiosarcoma embrional; sarcoma botryoides. 

Definição:

O rabdomiosarcoma é um tumor maligno (canceroso) do tecido mole encontrado em crianças. Os locais mais comuns são as estruturas da cabeça e do pescoço, o tracto urogenital, e os braços ou pernas.

Causas, incidência, e factores de risco:

As causas do rabdomiosarcoma são desconhecidas. Trata-se de um tumor raro contando com apenas algumas centenas de casos por ano nos EUA. Algumas crianças, com certos defeitos à nascença, possuem risco mais elevado, e algumas famílias possuem um gene com mutação que também aumenta o risco. Contudo, a grande maioria das crianças com rabdomiosarcoma não são caracterizados por nenhum factor de risco conhecido.38

 

Sarcoma de Ewing

 

Nomes alternativos:  

Primitive Neuroectodermal Tumors (PNET)

Definição:  

O sarcoma de Ewing é um tumor ósseo maligno (canceroso) que afecta as crianças.

Causas, incidência, e factores de risco:

O sarcoma de Ewing pode ocorrer a qualquer altura durante a infância, mas frequentemente desenvolve-se durante a puberdade quando os ossos se estão a desenvolver mais rapidamente. Pouco comum em crianças de origem chinesa, africana e afro-americana, o tumor pode surgir em qualquer parte do corpo, é mais comum nos ossos longos dos braços pernas, na pélvis e no peito. Pode também desenvolver-se no crânio ou nos ossos achatados do tronco.

Os sintomas são poucos, sendo dos mais comuns dor e ocasionalmente o inchar. As crianças podem também fracturar o osso no local do tumor após um trauma de fraca intensidade (fractura patogénica). Febre pode também estar presente.

O tumor espalha-se frequentemente (metástases) para os pulmões e outros ossos. Metástases estão presentes em aproximadamente um terço das crianças no momento do diagnóstico.39

 

Sarcoma de Kaposi

 

Definição:

O sarcoma de Kaposi é um tumor maligno do tecido conjuntivo, associado frequentemente a SIDA.

Causas, incidência, e factores de risco:

Antes da epidemia da SIDA, o sarcoma de Kaposi era visto principalmente em homens italianos idosos e homens judeus, e raramente em mulheres idosas. Entre a população as lesões começavam a desenvolver-se lentamente, no entanto nos doentes com SIDA, este tumor pode-se desenvolver de forma muito agressiva na pele, pulmões, tracto gastrointestinal e outros orgãos.

Em pessoas com SIDA, o sindroma de Kaposi é causado por uma interacção entre o HIV (supressão do sistema imune) e o vírus herpes humano 8 (HHV-8). A ocorrência do sarcoma de Kaposi está ligada a transmissão sexual do HIV e HHV-8.

Os tumores consistem em lesões que variam de um vermelho-azulada a um púrpura na pele. Podem aparecer inicialmente nos pés ou tornozelos, coxas, braços, mãos, cara ou qualquer outra parte do corpo.40

 

Tumor cerebral

 

Nomes alternativos:

Glioblastoma multiforme; Ependimoma; Glioma; Astrocitoma; Medulloblastoma; Neuroglioma; Oligodendroglioma; Meningioma;

Definição:

Tumor cerebral primário inclui qualquer tumor que se inicie no cérebro, podendo confinar-se a uma pequena área, ou ser invasivo (espalha-se por áreas próximas).

Causas, incidência e factores de risco:

Os tumores cerebrais podem destruir directamente as células cerebrais. Podem também, indirectamente, danificar células por produção de um estado de inflamação, comprimindo outras partes do cérebro com o crescimento do tumor, causando inchaço no cérebro, ou aumentando pressão intra-craniana.

Os tumores cerebrais são classificados dependendo do local exacto do tumor, do tipo de tecido envolvente, das tendências benignas ou malignas do tumor, e outros factores. Os tumores cerebrais primários podem surgir nas células cerebrais, nas meninges (membranas envolventes do cérebro), nervos, ou glândulas.

As causas do aparecimento de tumores cerebrais primários são desconhecidas. Isto porque são raros, e muito dversificados, havendo também diversos factores de risco que podem ter papel importante. A exposição a diferentes tipos de radiações, lesões na cabeça, e terapia de substituição hormonal podem ser factores de risco, bem como muitos outros. O risco advindo do uso de telemóveis é muito debatido.

Algumas condições inerentes aumentam o risco de aparecimento de tumores cerebrais, incluindo neurofibromatose, síndrome Von Hippel-Lindau, síndrome Li-Fraumeni, e síndrome Turcot.

Os tumores podem aparecer em qualquer idade, mas muitos tumores específicos envolvem uma faixa etária na qual são mais comuns.41, 42, 43

 

Tumor Cerebral – Adultos

 

Causas, incidência, e factores de risco:

Em adultos, os gliomas e os meningiomas são os mais comuns.

Pensa-se que os gliomas derivam de células gliais tais como os astrócitos, oligodendrócitos, e células ependimais. Estes tumores são de diversos graus de malignidade. Os gliomas estão subdivididos em 3 tipos:

·  Tumores astróciticos incluem astrocitomas (menos malignos), astrocitomas anaplásicos e glioblastomas (mais malignos). Os astocitomas podem evoluir durante o tempo para formas mais malignas, incluindo glioblastomas.

·  Tumores oligodendrogliais podem também variar entre tumores muito malignos e pouco malignos. Alguns tumores cerebrais primários são compostos tanto por tumores astróciticos como por tumores oligodendrociticos. Estes são apelidados de gliomas mistos.

·  Glioblastomas são o tipo de tumores cerebrais primários mais agressivos. Podem ou não surgir de um outros tumores primários menos malignos.

Os meningiomas são outro tipo de tumor cerebral, que:

·  Ocorrem usualmente em idades compreendidas entre os 40 e 70 anos.

·  Muito mais comuns em mulheres.

·  Enquanto 90% são benignos, podem no entanto causar complicações devastadoras e morte devido ao seu tamanho ou localização. Outros são cancerosos e agressivos.

Outros tumores cerebrais primários em adultos são raros e podem incluir ependimomas, craniofaringiomas, tumores pituitários, tumores das glândulas pineais entre outros.41

 

Tumor cerebral – Crianças

 

Causas, incidência e factores de risco:

Os tumores cerebrais mais comuns em crianças são gliomas, astrócitomas, meduloblastomas, ependimomas, e gliomas do tronco cerebral. A maioria dos tumores cerebrais são raros no primeiro ano de vida.

Os tumores do sistema nervoso central, incluindo os tumores cerebrais, representam cerca de 20% dos cancros em crianças. Apenas as leucemias são mais frequentes.

Os sintomas específicos, tratamento, e prognóstico variam de acordo com a localização e tipo de tumor, a idade, e o estado geral de saúde da criança.

Tipos específicos de tumores:

Astrócitoma do cerebelo:

·  É responsável por cerca de 20% dos tumores cerebrais pediátricos (maior risco entre 5 a 8 anos de idade)

·  Normalmente benigno, cístico e de crescimento lento

·  Sinais incluem habitualmente inepsia numa mão, vacilação, dores de cabeça e vómitos

·  O tratamento passa pela remoção cirúrgica do tumor. Se esta não for completa, a radioterapia pode ajudar. A quimioterapia está reservada para casos em que a remoção é impossível ou em casos progressivos.

·  A percentagem de casos de tratamento com sucesso, depende da remoção cirúrgica do tumor completo, do tipo de tumor, e da resposta a outras terapias quando necessárias.

Meduloblastoma:

·  Trata-se do tumor cerebral maligno mais comum em pediatria (10-20% de todos os tumores cerebrais em pediatria).

·  Mais frequente em rapazes do que em raparigas. A idade de maior risco situa-se nos 5 anos de idade, sendo que a maioria ocorre antes dos 10 anos.

·  Sinais incluem dores de cabeça, vómitos, descoordenação de movimentos e letargia.

·  Pode espalhar-se ao longo da espinal-medula.

·  A remoção cirúrgica não consegue por si só a cura, sendo necessário recorrer à radioterapia ou quimioterapia.

·  Em casos de recidiva, acontece habitualmente nos primeiros 5 anos após terapia.

Ependimoma:

· Abrange 8-10% dos tumores cerebrais em pediatria.

· Tumor com ritmo de crescimento variável

· Tumores situam-se normalmente na parte ventricular do cérebro, obstruído o fluxo do líquido cefaloraquidiano.

· Sinais incluem dores de cabeça vómitos, e descoordenação de movimentos.

· Terapia simples ou combinada incluem remoção cirúrgica, radioterapia e quimioterapia.

·  A percentagem de casos de tratamento com sucesso, depende da remoção cirúrgica do tumor completo, do tipo de tumor, e da resposta a outras terapias quando necessárias.

Gliomas do tronco cerebral:

·  Tumor da medula e da ponte

·  Ocorre quase exclusivamente nas crianças

·  Abrange 10-15% dos tumores cerebrais primários nas crianças. Média de idade é de 6 anos.

·  Pode atingir dimensões consideráveis antes do aparecimento de sintomas.

·  Sinais incluem visão dupla, fraquaza facial, dificuldade ao andar, vómitos.

·  Remoção cirúrgica não é possível devido à localização do tumor.

·  Radioterapia e quimioterapia são usadas para reduzir o tamanho do tumor e prolongar o tempo de vida.

·  Percentagem de sobrevivência acima dos 5 anos é baixa.

Craniofaringioma:

·  Tumor localizado na haste da glândula pituitária.

·  Encontra-se frequentemente perto de uma estrutura vital, dificultando a remoção cirúrgica.

·  Raro, representa menos de 10% dos tumores primários em crianças; média de idades entre os 7 e os 12 anos.

·  Sinais incluem alterações visuais, dor de cabeça, aumento de peso, alterações endócrinas.

·  Tratamento com cirurgia, radioterapia, ou combinação das duas. Existe alguma controvérsia relativamente a terapia ideal.

·  Percentagem de sobrevivência e cura é favorável, apesar das disfunções endócrinas persistirem, assim como os efeitos da radiação na capacidade cognitiva.42

 

Tumor cerebral metastásico

 

Definição:

Um tumor cerebral metastásico caracteriza-se por uma massa de células cancerígenas no cérebro que se alastraram a partir de outra parte do corpo.

O termo “metastásico” significa que ele se espalhou. A fonte originária do cancro é chamada de tumor primário. As células do tumor primário viajaram através da corrente sanguínea (metastatizou-se) e alojou-se no cérebro.

Causas, incidência e factores de risco:

Existem muitos tipos de tumores ou cancros que pode espalhar-se até ao cérebro, sendo os mais comuns: o cancro do pulmão, o cancro da mama, o melanoma, o cancro do rim, o cancro da bexiga, alguns sarcomas, as células tumorais germinativas ou o cancro testicular, entre outros. Alguns tipos de cancro espalham-se pouco frequentemente para o cérebro, tal como o cancro do cólon, ou muito raramente, tal como o cancro da próstata.

Os tumores cerebrais podem destruir directamente as células cerebrais, ou danificar indirectamente as células pela produção de inflamação, comprimindo outras partes do cérebro aquando do crescimento do tumor, produzindo inchaço cerebral, ou causando aumento da pressão intra-cerebral.

Os tumores cerebrais metastásicos são classificados dependendo do local exacto do tumor no cérebro, tipo de tecido envolvido, localização original do tumor, entre outros factores. Raras vezes, o tumor pode espalhar-se até ao cérebro, mesmo antes de conhecida a localização do tumor primário. Este é designado por cancro de origem primária desconhecida.

Os tumores cerebrais metastásicos representam cerca de um quarto dos cancros metastatizados (espalham-se pelo corpo). Estes são muito mais comuns do que tumores cerebrais primários. Aparecem em aproximadamente 10-30% dos cancros adultos.43

 

Tumor de Wilms

 

Nomes alternativos:

Nefroblastoma; Tumor do rim

Definição:

O tumor de Wilms é um tumor canceroso do rim que ocorre em crianças.

Causas, incidência e factores de risco:

O tumor de Wilms é um dos mais comuns tumores do abdómen em crianças e o tipo de tumor do rim mais comum. A causa exacta do aparecimento do tumor é desconhecida na maioria das crianças.

Está associado a certos defeitos de desenvolvimento do feto, incluindo anomalias do tracto urinário, ausência de íris (aniridia), e hemihipertrofia (alargamento de um lado do corpo). É mais comum em alguns meio-irmãos e gémeos, o que sugere uma possível causa genética.

O tumor pode tornar-se bastante largo, mas usualmente permanece encapsulado (self-enclosed). Pode espalhar-se para outros tecidos, especialmente os pulmões.

Está estimado que a doença ocorra em 1 por cada 200,000 a 250,000 crianças. As crianças aos 3 anos de idade, são o grupo de maior risco, enquanto que após os 8 anos, o tumor de Wilms é muito raro.44