Introdução sobre o Paraquato...

O paraquato (dicloreto de 1,1 ’-dimetil-4,4’-biperidinio) é comercialmente conhecido como Gramoxone ®. Foi sintetizado pela primeira vez em 1882 mas as suas propriedades herbicidas só foram descobertas em 1959 [b, g]. É um herbicida de contacto não selectivo bipiridilio e um dos tóxicos pulmonares mais conhecidos sendo por isso sujeito a intensas investigações.


Actualmente é o mais comum dos herbicidas, capaz de provocar intoxicações sendo a sua maioria por ingestão oral [a, b, c]. Em situações de envenenamento tem uma mortalidade elevada, o que levou à sua retirada do mercado e restrição no seu uso em alguns países. Apesar disto, ainda é comercializado em muitos outros sem qualquer controlo [a, g].

 



 

DEFINIÇÃO...

 

O termo paraquato é aplicado como sinónimo de dicloreto de 1,1 ’ – dimetil – 4,4’-bipiridínio ou dimetilsulfato de 1,1’ - dimetil-4,4’-bipiridilo[b, g].

Fórmula: CH3 (C5 H4 N)2 CH3Cl2 ou CH3 (C6H4N) CH3 [SO4]

Massa molar: 257,16 para o dicloreto e 408,5 para o dimetilsulfato [d, g]

Aparência, odor e sabor : sólido, branco/incolor, inodoro, insípido [f, ah]

 

Limite de exposição permitido de acordo com [e]:

  • OSHA: 0,5mg/m3 (pele; inalatório)
  • NIOSH: 0,1mg/m3 (pele; inalatório)
  • ACGIH: 0,1mg/m3 (inalatório; 0,5 mg/m3 total)

 

Propriedades químicas e físicas [d, e, f, g, ah]:

  • Sólido (sal dicloreto) na forma de cristais incolores ou pó cristalino, branco a amarelo;
  • Higroscópico;
  • Soluções aquosas de dicloreto de paraquato são rosa forte;
  • Não é combustível, mas decompõe-se quando submetido a aquecimento superior a 300ºC originando fumos tóxicos (incluem óxidos de azoto, HCl);
  • Ataca o metal;
  • Ponto de fusão: 75-180 ºC;
  • Densidade relativa: 1,25 (sendo 1 a água);
  • Solubilidade em água a 20 ºC: 70 g/100ml (muito solúvel);
  • Tensão de vapor a 20 ºC: <0,0001Pa;
  • Coeficiente de partilha óleo–água: -42 (log Pa);
  • Reactividade: não se conhecem condições que contribuam para a instabilidade mas, tem incompatibilidade quando contacta com oxidantes fortes, pois pode provocar incêndios e explosões.

 

Vias de exposição [d]:

  • Inalação
  • Contacto com olhos e pele
  • Ingestão

 

Efeitos da exposição de curta duração:

O paraquato é irritante para os olhos, pele e vias respiratórias. Causa edema pulmonar e pode ter efeitos nos rins, fígado, aparelho digestivo e sistema cardiovascular. Sendo o pulmão um órgão muito sensível, pode sofrer hemorragias e fibrose pulmonar [d].

A exposição a elevadas concentrações pode levar à morte, sendo sempre aconselhável a observação médica [d].

 

Efeitos da exposição prolongada ou repetida:

O contacto repetido e prolongado com a pele pode causar uma dermatite, pode ter efeito nas unhas e provocar lesões [d].

 

 

Armazenamento [d]:

  • Conservar em local ventilado e bem fechado;
  • Separar dos alimentos e produtos alimentares;
  • É aconselhável acondicionar os resíduos num dispositivo apropriado para posterior eliminação;

Acondicionamento e etiquetagem [d]:

  • Recipiente fechado;
  • Colocar recipientes frágeis numa embalagem vedada;

 

Não transportar com alimentos nem produtos alimentares;

 

CLASSE EMBALAGEM ONU: II CLASSE PERIGO ONU: 6.1

 

Danos ambientais [d]:
Substância tóxica para os organismos aquáticos. Pode causar efeitos a longo termo no ambiente aquático.

 

Detecção por [e]:

  • HPLC;
  • UV do catião 1,1-dimetil-4,4’-bipiridião (fase móvel 25% acetonitrilo, 75% 0,01M ácido sulfónico-heptano, sal sódio (pH 3,2), 1,5 ml/min; volume de injecção 20µl; detector: UV absorção 254nm; calibração com diclorito paraquato em água; limite 20 a 500µg/amostra).

 

 

Departamento de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto - 2005 / 2006