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Sabia que o ópio esteve na origem de uma guerra?

A China e a Grã-Bretanha guerrearam-se, entre 1839 e 1842, nas chamadas Guerras do Ópio.

Os ingleses cultivavam o ópio na Índia e vendiam-no em grandes quantidades na China, através da Companhia Britânica das Índias Orientais. Mas, como o consumo de ópio alastrava como uma epidemia, o governo imperial chinês proibiu o seu comércio e combatia o tráfico ilegal. Em 1839, mandou queimar, em Cantão, 20 mil caixas de ópio apreendidas a traficantes ingleses. A Grã-Bretanha enviou navios de guerra e ocupou Xangai.

Perante o poderio Inglês, a China foi forçada a assinar o Tratado de Nanquim, segundo o qual teve de pagar uma indemnização pelo ópio destruído, abrir cinco portos para comércio e ceder Hong Kong aos britânicos.

A Guerra do Ópio chegou ao fim, mas devido à liberalização do ópio na China, em 1900 metade da população adulta masculina era viciada em ópio.

Efeitos adversos [16],[34],[38],[39]


A morfina pode causar certos efeitos adversos, dos quais destacamos uns mais frequentes, e outros menos comuns. Assim, temos:

Efeitos comuns:

• Dependência física

Acontece no uso não médico de morfina e de outros opióides, ou no seu uso incorrecto em doses superiores às analgésicas mínimas necessárias no doente em questão. No entanto, doentes correctamente submetidos à terapêutica com morfina durante muitos dias ou até semanas e meses (como doentes com cancro ou poli-traumatizados graves em cuidados intensivos) não desenvolvem síndrome de privação.
Esta dependência física acontece porque quando se consome morfina, o cérebro deixa de sintetizar os seus próprios opiáceos (endorfinas e encefalinas), passando a morfina a assumir o papel destes.

Existe também dependência psíquica, isto é, desejo compulsivo e necessidade contínua de tomar morfina, para que a pessoa se sinta bem e normal. Nem todos os indivíduos com dependência física desenvolvem dependência psíquica, já que o aparecimento desta depende de uma série de factores.

• Sedação

• Miose

Constrição da pupila do olho, que fica mais pequena. Este factor é bastante importante para o diagnóstico de uma depressão provocada por opióides.

• Depressão respiratória

Em overdose, constitui a principal causa de morte. Este efeito é detectável mesmo em doses sub-analgésicas de morfina em indivíduos sãos e resulta de um efeito directo sobre o centro respiratório bulbar, que se torna menos sensível a estimulações fisiológicas. Todos os parâmetros ventilatórios são diminuídos pela morfina, sendo a frequência o mais afectado.

• Supressão da tosse

• Bradicardia

• Rigidez muscular

• Vasodilatação (acompanhada de calores na pele)

• Reacções alérgicas, como prurido

• Visão turva

• Ansiedade, alucinações, pesadelos e insónias

• Vómitos

• Diarreia

• Disfunção sexual

• Sonolência

• Depressão

• Redução dos níveis de consciência

• Edema

• Perda de apetite

• Hiperalgesia

• Hipotensão

• Incapacidade de concentração

• Broncoespasmo

• Retenção urinária (principalmente quando a via de administração é IV ou IM)

• Obstipação (com redução do peristaltismo)

Na administração crónica de opiáceos, a obstipação é agravada pela diminuição da fome ou sede, que eles próprios provocam por acção central.
 

Efeitos menos comuns:

• Redução da função renal

• Prolongamento do parto

• Libertação de hormona prolactina com possível desenvolvimento de ginecomastia (crescimento das mamas) nos homens e galactorreia (secreção de leite) nas mulheres.
 

Notas importantes:

São considerados doentes de risco, todos aqueles que possuam uma idade avançada, insuficiência renal, doenças respiratórias ou que associem o tratamento com morfina ao uso de sedativos;

Para reduzir estes efeitos adversos, pode administrar-se um antagonista dos receptores opióides, como a naloxona.


© copyright 2007 - Filipa Oliveira - Filipa Ribeiro - Teresa Lima