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Nomes comerciais da morfina

MS-Contin®, Oramorph SR®, MSIR®, Roxanol®, Kadian® e RMS®.

 

Farmacocinética [25],[31],[32],[35],[36],[40]


Características gerais:

• Efeito dura 4 a 6 horas;

• Metabolizada no fígado (por conjugação com o ácido glucurónico) e um pouco nos rins;

A morfina é metabolizada por duas vias, glucuronidação e N-desmetilação, originando três metabolitos: morfina-3-glucuronido, morfina-6-glucuronido e normorfina.

O metabolito morfina-3-glucuronido é o que se forma em maior quantidade sendo, no entanto, considerado inactivo (porque tem pouca afinidade para os receptores opióides). Pensa-se que este metabolito seja o responsável pelos fenómenos de toxicidade e tolerância associados a doses elevadas de morfina.

Já o metabolito morfina-6-glucuronido é considerado activo, sendo um potente agonista dos receptores μ.

• Elevado efeito de primeira passagem;

• Ultrapassa a BHE e placenta;

• É distribuída pelo corpo, mas sobretudo nos rins, fígado, pulmões e baço, com pequenas concentrações no cérebro e músculos. A penetração reduzida no SNC é devida à baixa solubilidade nos lípidos, união às proteínas, grande ionização a pH fisiológico (cerca de 90%) e conjugação com o ácido glucurónico. Como esta circulação no SNC é lenta, a depressão respiratória, se acontecer, é apenas passadas 18 horas, tempo que a morfina demora a activar no SNC os centros respiratórios.

• Cerca de 35% liga-se às proteínas;

• Morfina é conjugada com o ácido glucurónico no fígado e intestino, para produzir o seu principal metabolito, morfina-3-glucuronido, inactivo e o metabolito activo, morfina-6-glucuronido. Este último pode contribuir para o efeito analgésico da morfina, especialmente quando são administradas doses repetidas por via oral;

• Tempo de semi-vida plasmático: 102 minutos;


Vias de administração:

Esta substância pode ser administrada de várias formas: via oral, intramuscular, subcutânea, intravenosa, epidural, intranasal ou transdérmica, sendo que estas três últimas são as menos utilizadas. É de notar que a morfina é 2 a 6 vezes menos potente oralmente do que por via injectável.

Existem, no entanto, outras vias de administração, mas apenas usadas em casos muito concretos. Em doentes neoplásicos terminais com muitas dores, a morfina pode ser usada por via intraventricular (ao nível dos ventrículos cerebrais) com sucesso. Noutros casos, e devido à dificil passagem de certos compostos do sangue para o tecido nervoso, a via de administração usada pode ser intratecal. Esta consiste em injectar morfina directamente no canal raquidiano.

No caso de doentes que usam cronicamente a morfina, é frequente ser-lhes dado o controlo de uma bomba (vias intravenosa e epidural), activada por um botão, que injecta opióide de acordo com o seu desejo. Existe um mecanismo que previne a injecção de doses elevadas (que podem provocar danos graves), mas, na grande maioria dos casos, o controlo pelo doente reduz a ansiedade e as doses acabam até por ser mais baixas. 
 

Características das diferentes vias de administração:

Intravenosa - início de efeitos em menos de 1 minuto e pico analgésico ao fim de 20 minutos;

Intramuscular - início de efeitos aos 15/30 minutos e pico de efeito máximo registado aos 30/60 minutos;

Subdural - 0,3 mg levam a concentrações plasmáticas de 4,5 ng/mL ao fim de 5/10 minutos, pelo que se admite que a morfina que entra na circulação sistémica não contribui para a analgesia (a concentração plasmática mínima eficaz da morfina é cerca de 20 ng/mL). Com esta dose de 0,3 mg atinge-se uma concentração no LCR de 6500 ng/mL, com tempo de semi-vida de eliminação de 90 minutos e, portanto, um efeito muito mais longo do que o obtido por via sistémica (ultrapassa frequentemente as 24 horas);

Epidural - 3 mg de morfina originam uma concentração plasmática máxima de 33/40 ng/mL ao fim de 5 minutos pelo que esta morfina já é passível de contribuir para o efeito analgésico. Cerca de 3,6% da morfina epidural passa para o LCR, onde atinge concentrações máximas ao fim de 60/90 minutos.
 

Posologia:

A posologia usada depende do uso, e, como tal, a dose varia se a morfina for usada na dor aguda, no edema do pulmão, na dor crónica. Assim sendo, temos:

Dor aguda - Via IM: 10 mg a cada 4 horas (em doentes com grande massa muscular, pode ser necessário 15 mg). Nas crianças as doses são, logicamente, mais baixas;

Dor crónica - per os ou por via IM: 5 a 20 mg a cada 4 horas (aqui as doses devem ser adaptadas às necessidades do doente);

Enfarte do miocárdio - Injecção IV lenta (2 mg/min): 10 mg seguidos de mais 10 mg se necessário;

Edema pulmonar agudo - Injecção IV lenta (2 mg/min): 5 a 10 mg.


Esta posologia deve, no entanto, ser ajustada tendo em conta a idade, peso, estado físico, medicação adjacente, tipo de anestesia utilizado e procedimento cirúrgico.


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