Atropa Belladonna L.

 
:: Toxicidade ::

:: Doses letais ::

T

O

X

I

C

O

L

O

G

I

A

 

Doses letais

 

A gravidade da intoxicação varia, como vimos anteriormente, consoante o modo como nos expostos à Atropa Belladonna. [1]

De modo semelhante, as doses letais são diferentes consoante estejamos a falar da ingestão de infusões ou de bagas da planta, ou dos compostos puros, atropina, hiosciamina e escopolamina. Quando falamos na planta, referimo-nos, quase essencialmente, às doses letais de atropina.

A susceptibilidade aos efeitos tóxicos da atropina variam largamente de indivíduo a indivíduo, e de espécie para espécie. [2]

 A morte ocorreu após ingestão de quantidades de atropina tão reduzidas quanto 100 mg mas há exemplos descritos onde o doente sobreviveu mesmo depois de tomar até 500 mg. [2]

As crianças são, naturalmente, mais sensíveis ao alcalóide tendo ocorrido mortes após a ingestão de apenas 10 mg. [2]

A dose letal média (LD50), para humanos adultos, citada por Polson, Verde e Lee, está entre 90 e 130 mg. [2]

A LD50 por via oral, nos humanos adultos, é considerada, comummente, cerca de 100mg enquanto nas crianças é um pouco menor (apesar de não se encontrar estipulada estima-se que cerca de 20 a 25mg de atropina poderão ser suficientes para provocar a morte). [3]

No caso de tratar de (L)-hiosciamina, ou escopolamina, uma dose oral de 10mg poderá ser fatal para um adulto. [3]

Mas, estas quantidades em miligramas de alcalóides, para a pessoa comum, indicam muito pouco. Assim sendo, e considerando que a principal preocupação será a ingestão de bagas da planta, vamos deixar “valores de referência” para o número de bagas que um ser humano, adulto ou criança, poderá ingerir e consiga sobreviver.

De uma forma grosseira, e pouco precisa, pode dizer-se que o consumo de 5 a 10 bagas nas crianças, bem como o de 20 bagas nos adultos poderá ser letal. [3]

Há pessoas que se mostram bastante sensíveis à ingestão de apenas uma baga. Após 1 ou 2 bagas, a maioria das pessoas refere ter, apenas, dificuldades na percepção visual. A ingestão de 3 ou 4 bagas, fornece a sensação de “pedrada”, e entre 5 e 10 bagas causa alucinações (a maioria são consideradas negativas). A ingestão de 20 bagas será fatal à maior parte dos adultos, sendo que as crianças podem morrer por ingestão de apenas 2 ou 3. [4]

Actualmente, o maior problema são as crianças. Estas, além de serem mais susceptíveis aos efeitos tóxicos dos alcalóides, são facilmente atraídas pelas bagas da planta, ingerindo-as. Apesar disto, na maior parte das vezes, sobrevivem. [2]

Apesar do aspecto atractivo para as crianças, também os adultos sofrem as consequências de ingestão acidental de bagas de Atropa Belladonna. Um caso clínico relata, um casal que confundiu mirtilos com estas bagas, tendo-as utilizado para fazer uma tarte. [5]

Imagem 1. Mirtilos [6]

Imagem 2. Bagas de Atropa Belladonna [7]

Apesar dos valores de referência, há casos clínicos que provam que mesmo ingerindo quantidades elevadas de bagas, há crianças que sobrevivem. Após ter ingerido entre 20 a 25 bagas, uma criança de 9 anos desenvolveu um quadro similar ao de psicose que recuperou após tratamento intravenoso com fisostigmina. [8]

Mesmo mostrando-se extremamente tóxica para o humano, muitos animais mostram-se imunes ao efeitos tóxicos desta planta. Cavalos, burros, coelhos, cabras, porcos e pássaros alimentam-se de folhas e/ou bagas sem que os sinais de intoxicação sejam visíveis. Por outro lado, alguns mamíferos, como os cães e gatos, também apresentam sinais de intoxicação por esta planta. Estas diferenças de toxicidade entre espécies devem-se aos diferentes mecanismos desintoxicação dos animais. [9]

 

Bibliografia:

  1. Goodman & Gilman’s. The pharmacological basis of therapeutics. 10th edition. Pág. 165-166

  2. M R Lee. Solanaceae IV: Atropa belladonna, deadly nightshade. J R Coll Physicians Edinb. 2007 Mar; 37 (1): 77-84

  3. Committee for veterinary medicinal products. Atropa belladonna. EMEA. Dezembro 1998

  4. http://www.a1b2c3.com/drugs/bell002.htm (acedido 28.11.07)

  5. Southgate HJ, et al. Lessons to be learned: a case study approach. Unseasonal severe poisoning of two adults by deadly nightside (Atropa belladonna). J R Soc Health. 2000 Jun;120(2):127-30.

  6. http://en.wikipedia.org/wiki/Bilberry (acedido 28.11.07)

  7. http://www.uni-essen.de/botanik/Exkursionen/Atropa_belladonna.jpg (acedido 28.11.07)

  8. Lange A, Toft P. Poisoning with nightshade, Atropa belladonna. Ugeskr Laeger. 1990 Apr 9;152(15):1096.

  9. http://www.botanical.com/botanical/mgmh/n/nighde05.html (acedido 28.11.07)

 

 

(Topo)

Toxicologia

Mecanismo de acção

Farmacocinética

Vias de exposição

Sintomas

Tratamento

 

Faculdade de Fármacia da Universidade do Porto - 2007/2008
Trabalho de Toxicologia Mecanística