- Introdução

- Mecanismo de acção

- Farmacocinética

 - Indicações terapêuticas

- Modo de administração

- Posologia

- Resistência à furosemida

- Interacções Medicamentosas

- Reacções Adversas

- Cuidados especiais

- Toxicidade

- Intoxicação

- Outras utilizações

- Formas farmacêuticas existentes em Portugal

- Glossário

- Bibliografia

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística no ano lectivo 2007/2008 do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP). Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Prof. Doutor Fernando Remião do Laboratório de Toxicologia da FFUP .

 

 

O que é a furosemida? 1,2,5,9

A furosemida - uma benzosulfonamida - é um fármaco de origem sintética, pertencente ao grupo farmacoterapêutico dos diuréticos da ansa. Esta designação prende-se com o facto de actuarem preferencialmente ao nível da ansa de Henle, mais especificamente na sua porção espessa. Entre os vários diuréticos existentes, os diuréticos da ansa são considerados os de maior potência.

Introdução 1,3,4-6,9,26,27

O aparelho urinário está intimamente relacionado com a formação, depósito e  eliminação de urina, desempenhando um papel fulcral na manutenção da homeostasia do organismo. Conjuntamente com outros órgãos, regula o volume e mantém a composição do líquido intersticial dentro de uma determinada gama de valores. Os rins assumem um papel central em todo este processo, sendo os principais órgãos excretores do organismo, removendo do sangue  a maioria dos produtos de degradação, muitos dos quais tóxicos. Desempenham também um papel primor dial no controlo da volémia, da concentração de iões sanguíneos, do pH do sangue, entre outras tarefas.

A unidade básica histológica e fisiológica do rim é o nefrónio, composto pelo corpúsculo renal, tubo contornado proximal, ansa de Henle e tubo contornado distal.            

Estrutura de um nefrónio
( Inhttp://curlygirl.no.sapo.pt/excrecao.htm)

Cada uma destas porções tem funções específicas na produção de urina, através de uma série de processos de filtração, reabsorção e secreção. O filtrado que percorre cada nefrónio vai, deste modo, sofrendo modificações qualitativas e quantitativas, por acção de mecanismos de concentração da urina. No contexto deste trabalho importa apenas fazer referência à Ansa de Henle. Esta divide-se em duas porções com características distintas: uma ascendente e outra descendente. O ramo descendente é bastante permeável à água, mas não permite que ocorra reabsorção de solutos para o interior das células. No ramo ascendente da ansa de Henle, mais especificamente na sua porção fina, as características do epitélio são diferentes, caracterizando-se por uma elevada impermeabilidade à água e permeabilidade a iões Na+ e à ureia, que são aqui reabsorvidos passivamente a partir do filtrado. A porção espessa da ansa de Henle mantém uma permeabilidade muito baixa à água e apresenta na  membrana luminal das células epiteliais um sistema  de co-transporte, que permite a passagem de Na+, K+ e Cl-. O Na+ é assim reabsorvido activamente, utilizando a energia do gradiente electroquímico de Na+, gerada por uma ATPase Na+-K+ da membrana basal da célula. Esta porção da ansa possui um papel fundamental na diluição do filtrado, uma vez que ocorre reabsorção de cerca de 20-30% de iões Na+, bem como de K+ e Cl-, não sendo acompanhada pela reabsorção de água. A reabsorção de solutos nesta zona constitui o mecanismo base através do qual o rim consegue concentrar a urina, já que, através de um processo de transferência de electrólitos, se cria um espaço intersticial hipertónico com um gradiente de pressão osmótica, responsável pela reabsorção de água ao nível da porção terminal do tubulo contornado distal e dos tubos colectores.

Os iões K+ e Cl- reabsorvidos simultaneamente com o Na+, seguem percursos distintos dentro da célula: o K+ regressa ao lúmen tubular através da canais de potássio existentes na membrana luminal do epitélio, originando aí um potencial positivo; o Cl- alcança o espaço intersticial. Deste modo, gera-se uma diferença de potencial entre os espaços luminal e intersticial, que favorece a reabsorção de catiões, como o Mg2+ e o Ca2+
Universidade do Porto|Faculdade de Farmácia|Toxicologia Mecanística|Sara Cordeiro e Mariana Alves