Misoprostol
 

Há Mulheres Que Usam Fármaco para Abortar e têm Bebés Prematuros

2004/09/10, Jornal Público

Em Portugal as mulheres não precisam que activistas holandesas lhes venham dar a conhecer que o misoprostol pode ser usado para abortar. A "prática é corrente" e o seu uso tardio leva a que mulheres usem este remédio para interromper a gravidez acabando por ter bebés prematuros com graves problemas de saúde, denuncia a presidente da Comissão Nacional para a Saúde Infantil e do Adolescente, Maria do Céu Machado, com base num estudo científico que coordenou.

A polémica foi lançada pela responsável da organização pró-aborto Women on Waves. Rebecca Gomperts disse, terça-feira, num programa televisivo português, ter adquirido misoprostol numa farmácia sem receita médica. Ensinou depois a melhor forma de abortar usando um fármaco comercializado em Portugal: a substância activa misoprostol que é vendida como Cytotec ou Arthrotec. No "site" da organização recomenda-se o aborto com recurso a este remédio até às nove semanas numa dose de quatro comprimidos de cada vez (www.womenonwaves.org).

Maria do Céu Machado, que é pediatra e neonatologista no Hospital Amadora-Sintra, afirma que dão entrada mulheres em trabalho de parto com "a vagina cheia de comprimidos de misoprostol", às vezes com "seis vezes a dose terapêutica", o que provoca "dores fortes" - "É tudo feito com muito sofrimento."

A responsável afirma que há "um número crescente de grávidas que fazem um uso tardio do fármaco, por vezes depois das 24 semanas de gestação (seis meses), não tendo noção da viabilidade daquele feto". O misoprostol isolado é pouco eficaz no primeiro trimestre da gravidez, com expulsão do feto em apenas 9 a 20 por cento dos casos. Nos segundo e terceiros trimestres é mais fácil induzir o parto, refere.

Como se trata de gravidezes não vigiadas, muitas mulheres ignoram quando ficaram grávidas. "Não percebem que "não vão expulsar um embrião mas um feto vivo e viável". "Para estas mães o nascimento de um filho vivo é uma surpresa com a qual têm grande dificuldade em lidar", salienta.

"Estas mulheres acabam por ficar com uma criança viva cheia de problemas de saúde", por vezes "sequelas neurológicas, como a paralisia cerebral". Os bebés nascidos desta forma adoecem mais com problemas cardíacos e pulmonares, refere a pediatra Manuela Escumalha, autora do estudo efectuado na Unidade de Neonatologia daquele hospital.

A investigação dá conta de 30 bebés com menos de 1,5 kg em que as mães admitiram o uso de misoprostol e comparou-os com prematuros com o mesmo peso nascidos de partos espontâneos. O período do estudo foi de 1996 ao fim de 2003. "São quatro crianças por ano num total de 80 crianças por ano com aquele peso." Ou seja, "cinco por cento dos prematuros com menos de quilo e meio nascidos naquela instituição durante aquele período foram resultado de abortos induzidos por misoprostol", refere a autora do estudo. Seria importante ter a dimensão do problema a nível nacional, acrescenta.

(…)

Maria do Céu Machado afirma que cada comprimido de misoprostol é facilmente adquirido no mercado negro a cerca de 7,5 euros, sendo fácil de comprar, especialmente "nos meios africanos e brasileiros", refere. É um pouco mais caro do que na farmácia. O Arthrotec custa entre 5 e 24 euros (dependendo do número de unidades de cada embalagem) e o Cytotec entre 10 e 26 euros.

O fármaco é de uso corrente pelos obstetras para provocar partos em tempo normal e para fazer os abortos previstos na lei (malformação do feto, violação e perigo para a saúde da mulher). (…)

A médica afirma que há que pensar se este fármaco deve ser apenas de uso hospitalar, para dificultar a sua venda clandestina. Mas a principal questão passa pelo reforço da educação sexual e reprodutiva. "Estamos a meter a cabeça na areia, sem barco ou com barco, quanto mais se discutir melhor", remata.

[Catarina Gomes]

 

Objectores consciência recusam também pílula abortiva12

O presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia considerou hoje que a actuação dos hospitais portugueses na interrupção médica da gravidez vai manter-se, apesar da compra da pílula abortiva, pois a objecção de consciência dos clínicos permanece.

O Ministério da Saúde autorizou que os hospitais comprem directamente a substância que compõe a pílula abortiva (mifepristone) e não é comercializada em Portugal, devendo para tal requerer uma autorização especial ao Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento.(…)

A circular da DGS lembra que um comité de peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, em Março do ano passado, "a inclusão do mifepristone associado ao misoprostol" na lista de medicamentos essenciais para utilização na interrupção médica da gravidez em meio hospitalar.(…)

A outra substância referida pela OMS, o misoprostol, é comercializada em Portugal e "tem sido largamente utilizada em muitos hospitais do SNS, com base na evidência científica, em situações de necessidade de esvaziamento uterino consequentes a feto morto, na Interrupção Médica da Gravidez e em induções do trabalho de parto, tendo sido incluída, em Dezembro de 2005, no formulário hospitalar".

Agência LUSA
2006-02-03 21:44:12

 

Aborto: medicamentos perigosos12

2007/01/15 | 22:24 || 

Organização explica utilização do Misoprostol para efeitos abortivos. Médicos alertam para riscos de hemorragia, que pode ser mortal. Fármacos estão à venda nas farmácias, só com receita médica, mas não são difíceis de arranjar.

(…) Em declarações ao PortugalDiário, Carlos Santos Jorge, ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia, disse que a toma destes medicamentos com a finalidade de interromper uma gravidez «representa riscos». Por esta razão, defende que «não deve ser permitido que se utilizem em automedicação e sem controlo especializado».

A iniciativa de tentar travar uma gravidez, sem que haja um acompanhamento médico, «multiplica seriamente os riscos», explicou Carlos Santos Jorge, referindo que entre eles se encontra a possibilidade de ocorrerem «hemorragias graves», que podem ser «quase mortais».

Contudo, o médico ressalvou que, usado criteriosamente por especialistas, o misoprostol pode ser utilizado, inclusive, no auxílio de partos.

O ginecológico Carlos Marques - membro da direcção do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia, da Ordem dos Médicos - também defendeu que «é um risco [o Misoprostol] ser utilizado sem uma indicação médica», recordando que a sua finalidade não é a interrupção da gravidez.

Na página de Internet da «Women on waves», que se define como uma organização que luta pela «prevenção de gravidezes indesejadas e de abortos clandestinos feitos em más condições», o uso do misoprostol é apresentado, contudo, como o «método mais seguro para abortar quando a mulher não tem alternativas legais».

«Como posso eu provocar um aborto?», lê-se no site. A resposta vem de seguida: «A forma mais segura de realizar um aborto até a nona semana de gravidez é utilizando dois medicamentos chamados Mifepristone (...) e Misoprostol».

Uma breve consulta na base de dados do Infarmed identifica três medicamentos que têm por base esta última substância activa: o Cytotec, o Arthrotec e o Diclotec - os dois últimos em combinação com Diclofenac.

Apesar de alertar que «o uso incorrecto do medicamento pode ser extremamente perigoso para a saúde da mulher», a «Woman on Waves» ensina passo a passo o processo da interrupção de uma gravidez com Misoprostol e até a forma de conseguir o produto numa farmácia, apresentando os sintomas que justifiquem a sua prescrição por parte um médico.

 

DGS define utilização de fármacos para IVG13

2007/04/10 | 15:01

 A primeira orientação clínica da Direcção-Geral de Saúde (DGS), a publicar dentro de algumas semanas em forma de norma, irá definir o uso de medicamentos utilizados na interrupção voluntária da gravidez (IVG).

«Estamos a trabalhar para emitir normas sobre a forma de protocolos para diagnóstico e tratamento das novas doenças», referiu hoje o Director-Geral de Saúde, Francisco George, durante a cerimónia que assinalou o Dia Mundial da Saúde.

O primeiro protocolo será sobre os medicamentos para a IVG, nomeadamente o mifepristone, um fármaco que ainda não é comercializado em Portugal e que na Europa é vendido sob o nome de Myfegyne.

Sob a designação de Ru486, foi este o medicamento que a organização Women on Waves disponibilizou em 2004 às mulheres portuguesas que pretendessem abortar a bordo do barco Born Deep.

O nifepristone é uma substância recomendada, desde 2005, pela Organização Mundial de Saúde para a IVG em meio hospitalar.

O outro medicamento é o misoprostol, um fármaco prescrito para o tratamento da úlcera péptica e prevenção de lesões gastroduodenais, embora seja usado na indução do trabalho de parto ou no aborto terapêutico. Uma das reacções adversas deste medicamento é o risco de provocar aborto, sendo, por isso, utilizado para a IVG.

(…)

 

Aborto químico tem mesmos riscos que cirúrgico14

2007/08/17 | 14:12

Estudo avaliou efeitos de três fármacos utilizados na IVG

As mulheres que abortam com medicamentos ou através de cirurgia correm os mesmos riscos de desenvolver gravidezes extra-uterinas ou sofrer abortos espontâneos, conclui um estudo que contraria outros que atribuem mais risco aos fármacos, noticia a Lusa.

Publicada pelo The New England Journal of Medicine, a investigação avaliou o impacto do misoprostol, mifepristona e metotrexato - os três fármacos aprovados para a interrupção da gravidez - na gestação imediatamente seguinte a um aborto, não tendo identificado maior risco de complicações associadas ao uso destes medicamentos.

Estudos anteriores apontavam que as mulheres que recorriam a qualquer um destes fármacos para abortar tinham mais hipóteses de desenvolver gravidezes ectópicas (fora do útero), ter abortos espontâneos, partos prematuros ou bebés com baixo peso. (…)

«Não encontrámos nenhuma prova de que um aborto com fármacos, quando comparado com um cirúrgico, aumente o risco de abortos espontâneos, extra-uterinos, partos prematuros ou recém-nascidos com peso menor que o normal», concluem os investigadores. (…)

Em Portugal, são usados o misoprostol e o mifepristone que, quando combinados, são 98 por cento eficazes na interrupção de gravidezes até às nove semanas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)

Brígida Pinho  
Célia Ramalho  

4ºano - 2007